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| Fui como a flor que vingou por acaso. Como o acaso não existe, não tinha razão de ser. Fui como a gota de orvalho sem planta para orvalhar. Diluí-me pela terra, orvalhando não sabia o quê. Fui a rosa fecundada, gerando tantas outras, querendo formar jardim. Mas à medida em que elas cresciam, lá se iam e se afastavam de mim. Fui como o raio de sol tentando aquecer alguém. Mas as nuvens zombeteiras, brincando de esconde-esconde, me impediram isso também. Cansada de procurar, exausta de não encontrar quem acreditasse em mim, fui aos poucos me calando, cada vez mais me afastando do vozerio aí de fora. Palavras fúteis, inúteis ao meu momento de agora. E no profundo silêncio do meu "eu", de repente fui achar tudo aquilo que era meu. Estava lá meu jardim com todas aquelas flores que um dia germinei, umidecidas de amores do orvalho que esparramei. O raio de sol brilhava com tamanha intensidade que quase me cegava, tão grande sua claridade. E num ato de coragem, nunca antes tido então, desnudei-me de meus rótulos, bengalas joguei ao chão. Escancarei as janelas, vislumbrando diante delas a conquista do sem fim! O infinito... a eternidade... e meu Deus dentro de mim. |
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